segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Um apelo solitário

Um dia de profunda tristeza, esse foi o tão famoso Dia dos Pais, que se dependesse somente de mim e da minha família isso não teria acontecido.
Dia dos pais, dia das mães, esses dias são dias exclusivos da família. Quantas e quantas vezes eu falei isso. Neste final de semana eu senti na própria pele o que eu tanto previa, e passei a defender não somente em teoria, mas também na prática, a não comemoração dos dias familiares na escola.
Escolinha, essa não é sua função. Isso propaga tristeza, isso provoca mágoa, isso gera solidão.
Tudo começou na segunda-feira, 6 dias antes do domingo de comemoração de dia dos pais. A dona da escola me liga perguntando como era a relação entre minha filha e seu "pai". Bom, no telefone ele é presente sempre que convém a ele mesmo, então não tinha nada a me abster. Ela me explica que como nunca o viu não sabia se eles se relacionavam. Que seja...
Então ela diz que a semana seria toda dedicada aos pais e que preparariam as crianças para uma recepção que teria no sábado para eles.
Para começar devo dizer que me senti ofendida, mais do que isso, senti mal pela minha filha. Ela sugeriu que talvez não seria interessante levá-la durante esta semana, já que poderia se tratar de um assunto que poderia ser incomodo a ela.
Então eu levanto uma questão. Quem é que está errado? Eu, que digo que a escola não deveria se intervir nisso ou a escola que me sugere que retire minha filha das aulas durante uma semana para.... Bom, nem sei dizer para que.
Depois disso eu falei com ele, que disse que sim, que iria sim. Falei com ele durante toda semana, na sexta-feira a noite, por volta de 23:40 ele me liga e confirma que irá, peço que esteja presente às 07:00 porque teria o café da manhã do dia dos pais na escola. Novamente ela confirma.
É sábado de manhã, coloco o despertador cedo, às 07:00, acordo minha filha que estava dormindo e não queria acordar. O tempo todo falei: filha, hoje você verá o papai, hoje você vai ver o papai. Ela super feliz.
Dou banho, visto minha filha com uma roupa nova, uma roupinha linda que ela nunca usou, arrumo o cabelinho de lado. Ela estava linda, simplesmente uma princesa.
São 08:29 da manhã, era para ela estar na escolinha neste mesmo horário para se preparar para o café que começaria às 09:00. Resolvo não levá-la de cara. Ligo para ele. "Aonde você está? Já está chegando?"
Sabe o que ele me responde: Estou saindo daqui agora. Que hora que acaba aí?
Só de lembrar, só de escrever isso consigo sentir tudo o que senti naquele momento. Foi ódio. Puro ódio.
Escrevo aqui as palavras que escrevi no domingo:
Eu não vejo a hora desse dia acabar.
Para uma mãe solteira, cujo pai da sua própria filha é um destruidor de sonhos, esse dia é um desafio.
Não sei se dói mais nela ou em mium, mas hoje esqueci até que tinha um pai.
Essa é minha filha, arrumada ontem por volta das 08 da manhã, pronta para ir à escola aproveitar o dia dos pais com o pai, que prometeu vir a semana inteira e no próprio dia a deixou sozinha.
Não sei se a dor foi maior nela ou em mim, mas a única que chorou fui eu.
Feliz dia de quem?

Eu chorei, me desesperei, nunca me senti tão humilhada na minha vida, mas a dor foi provocada não somente por ele ser quem é, um traste, mas também por quererem me obrigar, me submeter a isso.
Há famílias e famílias. Há filhos cujos pais são a escória, e assim digo sobre mães também. Submeter uma criança a isso é ofensivo.
Eu não tenho como mudar o destino da minha filha, ela tem um pai ausente, um pai desprezível, mas ela não precisa passar por isso.
Escolas, deixem as próprias famílias lidarem com esses dias! Eu acredito sim que essas datas devam ser comemoradas, nossa, como eu amo o dia das mães. Mas não interfiram!
Eu achei este texto péssimo, de verdade, péssimo. Estou me sentindo tonta, nada bem, e ainda tive que digitá-lo rápido por estar no trabalho, mas hoje eu não queria fazer um post bonito, minha intenção aqui era um desabafo.
Um desabafo de uma mãe solteira que ficou completamente cega, perdida num dia em que eu não precisava ficar assim. Isso aqui é um apelo a todas as escolas e todos os pais e mães que entendem o que eu quero dizer.
É uma suplica para aqueles pais e aquelas mães que criaram você que é um filho ou filha de alguém, e criaram sozinhos, e sabem o que eu quero dizer.
Isso aqui é um grito desesperado de socorro, porque eu não sei como agir nessa sociedade que não me entende.
É para você que escreveu: parabéns paizão na página social do "pai" da minha filha.

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